Dr. Paulo Anestesista

Retocolite Ulcerativa

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Trata-se de doença que acomete o intestino grosso (cólon e reto). Caracteriza-se por inflamação da camada superficial do intestino chamada de mucosa. A doença não tem causa definida, portanto não há tratamento específico para sua cura. No entanto, é passível de controle através de medicamentos. É associada a vários fatores, tendo por base um componente hereditário e imunológico importantes. Afeta geralmente pessoas jovens, manifestando-se por diarreia com sangue vivo nas fezes.

Quando acomete apenas o reto é chamada proctite e nesse caso costuma se manifestar por prisão de ventre com sangramento, às vezes confundida com hemorroida pelo paciente. É denominada de colite esquerda quando atinge o cólon esquerdo e pancolite ou colite extensa quando chega ou ultrapassa o cólon transverso. Eventualmente pode comprometer também a parte final do íleo terminal. A inflamação tem características próprias e uma biópsia é obrigatória para diagnóstico diferencial, pela necessidade de se afastar outras entidades que cursam com inflamação intestinal, tais como as colites causadas por bactérias, vírus e parasitas.

Sinais e sintomas

Os pacientes apresentam diarreia crônica com sangue, sendo comum a anemia, frequentemente sem febre. O diagnóstico se confirma por exclusão de doenças com causas tratáveis. Uma retossigmoidoscopia com biópsia é sempre obrigatória.

colonoscopia ajuda no diagnóstico e especialmente no rastreamento da displasia e do câncer colorretal nos casos com mais de 7 anos de doença. A incidência de câncer colorretal é maior na doença extensa ou mais grave, assim como nos casos que possuem parentes com câncer de cólon.

A colite ulcerativa também cursa com manifestações em outros órgãos como os olhos, as articulações, a pele, as vias biliares e o fígado. Particularmente importante é a espondilite anquilosante que acarreta rigidez com imobilidade quase total da coluna.

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Tratamento clínico

O tratamento em princípio é clínico, por longo período ou por toda a vida. Medicamentos específicos para controle da inflamação intestinal, tais como sulfasalazina, imunossupressorese/ou imunomoduladores também são prescritos. Se ainda assim a doença continua rebelde, o próximo passo é a introdução de medicamentos chamados biológicos, tendo como o primeiro da lista o infliximabe, feito em regime de hospital-dia (curta internação) programado.

Quando operar a colite ulcerativa?

As indicações são claras. Nos casos em que não se consegue controlar a doença, mesmo com o melhor do tratamento clínico e, eventualmente, na criança que não responde aos medicamentos, agravado pela parada do crescimento. Nos casos que ao longo dos anos desenvolvem displasia ou câncer no cólon. Nos pacientes portadores de cirrose biliar, provocada pela colangite esclerosante, e que vai se submeter a transplante hepático, pode ser indicado retirar o cólon antes como profilaxia para câncer, pois viverá dependente de imunossupressores em grandes doses, o que pode facilitar o surgimento da neoplasia no intestino grosso. Outras indicações para o tratamento cirúrgico são condições agudas como a hemorragia maciça, a perfuração ou infecção. Nestes casos é possível haver a necessidade de remover o cólon de urgência. O megacólon tóxico é um quadro grave que se manifesta com infecção descontrolada. Neste caso, se não houver resposta ao tratamento clínico intensivo a cirurgia é a única opção salvadora. Nestas duas condições pode ser indicado o uso de potentes medicamentos imunossupressores, a exemplo da ciclosporina.

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Quais as cirurgias mais comuns?

Quando não é possível controlar a inflamação com medicações, a cirurgia é programada antes que sobrevenha um problema maior ou complicação como a hemorragia, perfuração ou infecção. A cirurgia ideal nestes casos é retirada total dos cólons e do reto sendo colocado o intestino delgado (íleo) para funcionar na parede abdominal (ileostomia definitiva).

Entretanto, uma técnica possibilita a reconstrução do trânsito intestinal através da confecção de um reservatório ileal (bolsa ileal) que permite que o paciente volte a evacuar pelo ânus. Esta não é uma operação fácil, sendo aconselhável a presença de um especialista em coloproctologia. Alguns fatores de ordem técnica podem impedir a efetivação desta reconstrução intestinal. A técnica com bolsa ileal pode também apresentar alguns contratempos ao longo dos anos, como inflamação local chamada de bolsite, que necessitam de especialistas para acompanhá-las.

Nos casos em que se utiliza a técnica de reconstrução do trânsito intestinal é comum que seja realizada uma ileostomia temporária com a intenção de assegurar uma melhor cicatrização dos pontos de sutura no intestino delgado com o reto ou ânus. Alguns casos raros que evoluem com inflamação da bolsa ileal (bolsite) podem exigir uma nova operação para retirada da mesma. Nestes casos o paciente permanecerá com ileostomia definitiva. Estas cirurgias estão indicadas para os quadros mais difíceis ou graves, livrando os pacientes de uma cirúrgica de urgência, de complicações sérias que colocam sua vida em risco, ou mesmo do câncer intestinal.

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Dr. Paulo Anestesista

Endoscopia digestiva alta

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A endoscopia é um exame muito usado no diagnóstico de doenças frequentes do trato digestivo, como gastrite e refluxo. Conheça o preparo e recomendações.

A endoscopia digestiva alta tem esse nome porque analisa a parte superior do tubo digestivo, incluindo esôfago, estômago e a porção inicial do duodeno. É um dos exames mais comuns e eficazes para identificar — e às vezes até tratar — doenças do aparelho digestivo.

Para que serve a endoscopia

A endoscopia é capaz de identificar sinais de uma série de doenças muito comuns do trato digestivo, como gastrites, esofagites e refluxo gastroesofágico, além de ajudar no diagnóstico de doenças mais graves, como hérnia de hiato e câncer de estômago.

Quando e quem deve fazer endoscopia?

Indivíduos com queixas como azia, queimação, falta de apetite, sensação de estufamento e perda de peso que persistem por mais de uma semana podem ter indicação para fazer o exame.

A endoscopia também pode ser indicada como forma de detectar tumores precocemente, em especial os de esôfago e de estômago. De acordo com fatores de risco (como esôfago de Barrett ou presença de casos de câncer gástrico na família, por exemplo), o oncologista pode indicar a realização do exame com determinada frequência.

Qual é o preparo para fazer endoscopia?

O paciente precisa estar em jejum de 8 a 12 horas (inclusive de água) e consumir no dia anterior somente alimentos leves, de rápida digestão, preferencialmente líquidos ou pastosos, como sopas e caldos. Lembre-se de pedir a alguém maior de 18 anos que o acompanhe, pois não é permitido fazer o exame sozinho.

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Logo antes do procedimento é fornecida uma solução com medicamento para eliminar gases e bolhas que podem atrapalhar o procedimento. Já na maca, é colocada uma espécie de máscara que mantém a boca do paciente aberta para que o procedimento possa ser realizado.

Como é feita a endoscopia

O exame às vezes desperta algum temor nos pacientes por conta da sedação que é utilizada, mas é importante destacar que ela é administrada na veia e tem efeito pontual, dura somente o tempo do exame (cerca de 15 minutos). Durante todo o período, a oxigenação e a frequência cardíaca são monitoradas.

Após a anestesia, o médico endoscopista introduz o endoscópio, um tubo flexível com uma câmera e iluminação na ponta, pela garganta. O instrumento traz em um monitor imagens em tempo real do aparelho digestivo do paciente. Do início ao fim, o indivíduo recebe monitoramento cardíaco e fica conectado a uma fonte de oxigênio. Enquanto o especialista conduz o endoscópio pelo trato digestivo, ele analisa as condições dos tecidos, tira fotos para análise posterior e pode inclusive remover, com o próprio endoscópio, pólipos ou material para biópsia, caso note algo que mereça investigação.

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Como é o pós da endoscopia

Por conta da sedação, é normal se sentir “grogue” nas horas imediatamente após o exame. Logo que sai da maca, o paciente é encaminhado para uma sala onde permanece por alguns minutos (de 15 a 30), até que passe o efeito mais intenso da sedação.

Algumas pessoas se sentem sonolentas ao longo do dia inteiro, por isso é recomendado tirar o dia de licença no trabalho e não dirigir nas 24 horas seguintes. O ideal é ir para casa com o acompanhante e permanecer em repouso até o efeito do sedativo cessar completamente (cerca de 12 horas). Após o exame o paciente pode retornar com seus hábitos alimentares normalmente, mas recomenda-se não ingerir bebidas alcoólicas por pelo menos 12 horas.

Também é normal sentir um leve desconforto na garganta após o exame.

Tem no SUS?

Sim, mas é necessário encaminhamento médico. O exame também é coberto pela maioria dos planos de saúde.

Fonte: Drauzio Varella

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Benefícios em parar o tabagismo antes da cirurgia.

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O monóxido de carbono do cigarro fumado diminui a entrega de oxigênio aos tecidos. A nicotina aumenta a frequência cardíaca e pode causar vasoconstrição periférica. Entre 12 e 24 horas de interrupção do cigarro, CO e nicotina retornam aos níveis normais. A função dos cílios broncotraqueias melhora entre 2 a 3 dias de cessado o fumo, e o volume de escarro diminui aos níveis normais em mais ou menos 2 semanas. Diminuiu também o risco de trombose arterial.
Entretanto, os estudos não demonstraram uma diminuição significativa na morbidade respiratória pós operatória até 8 semanas de abstinência.

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