Número de mulheres assassinadas por razões de gênero cresceu em Mato Grosso, enquanto a Delegacia Refional de Guarantã do Norte que atende os municípios de Guarantã do Norte, Itaúba, Marcelândia, Matupá, Nova Santa Helena, Nova Guarita, Novo Mundo, Peixoto de Azevedo e Terra Nova do Norte aparece entre as regionais com maior taxa proporcional de feminicídios. Dados são do Anuário da Segurança Pública da Sesp.

Mesmo com a redução histórica dos homicídios dolosos em Mato Grosso, o feminicídio segue como um dos principais desafios da segurança pública estadual. O Anuário da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT) revela que 53 mulheres foram vítimas de feminicídio em 2025, o maior número registrado desde 2020 e superior aos 47 casos contabilizados em 2024. A taxa estadual passou para 2,74 vítimas por 100 mil mulheres, representando aumento de aproximadamente 6% em relação ao ano anterior.
Embora Mato Grosso tenha reduzido significativamente os crimes violentos letais em geral, a violência de gênero seguiu caminho oposto. O próprio anuário destaca o feminicídio como um dos desafios estruturais da segurança pública e aponta a necessidade de ampliar políticas de proteção às mulheres, campanhas educativas e fortalecimento da rede de atendimento às vítimas.
Sinop lidera em números absolutos
Entre as 15 Regiões Integradas de Segurança Pública (RISPs), Sinop registrou o maior número absoluto de feminicídios em 2025, com nove vítimas. Em seguida aparecem:
- Sinop: 9 casos
- Várzea Grande: 7
- Nova Mutum: 6
- Guarantã do Norte: 6
- Rondonópolis: 5
- Cuiabá: 3
- Água Boa: 3
Outras regionais registraram entre um e três casos ao longo do ano.
Guarantã do Norte chama atenção pela taxa proporcional
Quando o critério passa a ser a taxa por população feminina, o cenário muda.
A RISP de Guarantã do Norte apresentou 9,46 feminicídios por 100 mil mulheres, a maior taxa de Mato Grosso em 2025. Além disso, a regional saiu de quatro casos em 2024 para seis em 2025, crescimento de 46% na taxa.
As maiores taxas do Estado foram:
1. Guarantã do Norte – 9,46
2. Vila Rica – 5,34
3. Nova Mutum – 4,68
4. Água Boa – 3,79
5. Pontes e Lacerda – 3,14
Já Cuiabá registrou taxa de aproximadamente 0,40, uma das menores entre as regionais, apesar da elevada população feminina.
Alguns municípios reduziram os casos
O anuário também mostra que diversas RISPs conseguiram reduzir os índices.
Entre os destaques:
* Juína reduziu cerca de 76%.
* Primavera do Leste apresentou queda de aproximadamente 70%.
* Água Boa diminuiu cerca de 31%.
* Pontes e Lacerda manteve praticamente estabilidade.
Em contrapartida, houve crescimento expressivo em:
* Nova Mutum (+9%);
* Guarantã do Norte (+46%);
* Vila Rica (+185%, passando de um para três casos).
Crimes ocorreram durante todo o dia
Diferentemente de outros crimes violentos, o feminicídio apresentou distribuição relativamente uniforme ao longo do dia.
Em 2025 foram registrados:
* 00h01 às 6h00: 13 casos
* 6h01 às 12h00: 12 casos
* 12h01 às 18h00: 14 casos
* 18h01 à meia-noite: 14 casos
Os dados demonstram que esse tipo de violência não se concentra apenas no período noturno, ocorrendo também durante o expediente e no ambiente doméstico.
Quinta-feira foi o dia mais violento
Os registros apontam maior incidência às quintas-feiras, com 16 feminicídios.
Na sequência aparecem:
* Domingo: 9
* Sábado: 8
* Terça-feira: 7
* Segunda-feira: 6
* Quarta-feira: 4
* Sexta-feira: 3
Mulheres entre 30 e 64 anos foram as principais vítimas
O perfil etário demonstra predominância de mulheres adultas.
Foram registradas:
* 30 a 64 anos: 30 vítimas;
* 18 a 29 anos: 17 vítimas;
* 0 a 17 anos: 3 vítimas;
* acima de 65 anos: 3 vítimas.
O próprio anuário destaca que a concentração dos casos em faixas etárias jovens e adultas reforça a necessidade de políticas permanentes de prevenção e proteção às mulheres.
Armas brancas foram o principal meio utilizado
Entre os meios empregados nos feminicídios, predominaram armas cortantes ou perfurantes.
O levantamento aponta:
* Arma cortante/perfurante: 23 casos;
* Arma de fogo: 19;
* Força muscular: 3;
* Arma contundente: 2;
* Outros meios: 6.
Cenário exige políticas permanentes
Apesar da expressiva redução dos homicídios dolosos registrada em Mato Grosso em 2025, os números revelam que o enfrentamento ao feminicídio continua sendo um dos maiores desafios para as forças de segurança e para a rede de proteção às mulheres.
Segundo o anuário, o combate à violência de gênero depende da atuação integrada entre segurança pública, sistema de Justiça, assistência social e políticas preventivas, com foco na identificação precoce das situações de risco e no fortalecimento das medidas protetivas.























