Educação

Olimpíada Brasileira de Matemática inova e premia medalhistas em Natal

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A premiação da 41ª edição da Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM) e do 1º Torneio Meninas na Matemática (TM2), realizados no ano passado, ocorre hoje (31) à noite em Natal (RN). A cerimônia faz parte da 23ª Semana Olímpica, que acontece nessa capital desde 26 de janeiro e se estende até amanhã (1º de fevereiro). Participarão do evento 133 estudantes do ensino fundamental, médio e universitário. A OBM e a TM2 são promovidos pelo Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e pela Sociedade Brasileira de Matemática (SBM).

Um dos medalhistas de ouro é Gabriel Bastos Vasconcelos Duarte, de 13 anos. Ele concorreu na OBM pela primeira vez em 2018, quando estava na sexta série do fundamental, e tirou ouro. “Foi uma surpresa. Eu não esperava”, disse à Agência Brasil o pai de Gabriel, Gustavo Duarte, professor de matemática. Destacou que o filho foi o único representante das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste a tirar medalha de ouro naquele ano. Em 2019, Gabriel estudou mais e conseguiu novamente conquistar uma medalha de ouro.

Gustavo confidenciou que a matemática não é a única paixão do filho. No ano passado, ele trouxe para o Brasil o título de vice-campeão sul-americano de judô, quando tinha 12 anos e estava na faixa verde do esporte. Hoje, ele está na faixa roxa. “Foi o primeiro campeonato dele internacional”, vibrou o pai. Em conversa com a Agência Brasil, Gabriel relatou que estudou muito para a prova da OBM, tanto em 2018 como em 2019. “Eu não esperava ter esse resultado”, manifestou Gabriel. Em 2020, ele vai cursar a oitava série do ensino fundamental e pretende continuar estudando para ganhar de novo na OBM. Os planos não param por aí. Quando estiver no ensino médio, o menino quer aprender mais para, “quando ficar mais velho”, poder disputar até olimpíadas internacionais.

Gabriel Duarte quer continuar estudando matemática na universidade. Ele incentiva o estudo da disciplina para as crianças da sua idade, às quais faz uma recomendação: “Nunca é tarde demais para começar a estudar (matemática) de forma intensiva. Com isso, os resultados não vêm de forma rápida, mas quando vêm são de forma expressiva”.

Universitários

A 41ª edição da OBM, realizada no ano passado, marca a segunda medalha de ouro na categoria universitária para George Lucas Diniz de Alencar, 21 anos, aluno do Departamento de Matemática do Centro Técnico Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CTC/PUC-Rio). A primeira foi conquistada em 2017. No ano seguinte, George foi prata. “Na última competição, a prova estava relativamente mais difícil, mas eu gostei do estilo de prova. Tive uma boa preparação durante esse ano porque algumas aulas na PUC eram voltadas para a olimpíada. Isso ajudou pra caramba!”.

George vai cursar o segundo ano de matemática na PUC-Rio este ano e está na dúvida entre ser pesquisador ou professor. Depois de graduado, pretende voltar para o Nordeste, onde nasceu. Ainda não decidiu se fará a pós-graduação no Rio de Janeiro ou no exterior. A primeira participação de George na OBM foi em 2012, quando estava na 9ª série do ensino fundamental, mas a primeira medalha, de bronze, ele ganhou somente em 2014. A partir daí foram mais duas medalhas de ouro no ensino médio. Ele fez as provas em novembro de 2019, com cerca de 1.290 jovens de todo o Brasil nessa categoria, e foi um dos quatro a conquistar ouro na OBM de nível mais alto. Com isso, a PUC-Rio obteve o único ouro de uma universidade fluminense na OBM 2019.

Meninas

O 1º Torneio Meninas na Matemática (TM2) representou para a medalhista de ouro do nível 2, que compreende a 8ª e 9ª séries do ensino fundamental, Fabricia Cardoso Marques, de Fortaleza (CE), 14 anos de idade, “uma experiência incrível”. Disse à Agência Brasil ter feito amizade com muitas participantes do torneio e afirmou que não esperava ganhar medalha. Fabricia acredita que o torneio pode incentivar outras garotas a cursar matemática e participar de competições como essa. Ela ainda não decidiu se quando concluir o ensino médio fará vestibular para matemática ou engenharia. “Ainda estou na dúvida”. A matemática é velha conhecida de Fabricia, que tem três medalhas de prata na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas e Particulares (OBMEP).

Outra medalhista de ouro do torneio foi Maria Clara Werneck, 18 anos, natural do Rio de Janeiro. Maria Clara acredita que muitas meninas que disputaram esse primeiro torneio se sentiram mais estimuladas a participar de olimpíadas de matemática. Esclareceu que isso não significa, contudo, que nas competições o número de meninas será igual ao de meninos. “Mas pode-se dizer que já é um começo”. Considerou que o torneio pode funcionar como uma “porta de acesso” feminina para as olimpíadas de matemática.

Quando disputou o torneio, no ano passado, Maria Clara estava concluindo a 3ª série do ensino médio. Fez o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e passou para matemática, na PUC-Rio, e para ciência da computação, na UFRJ. Lamentou que não dá para fazer simultaneamente os dois cursos, porque são em horário integral. Como ganhou bolsa na PUC, Maria Clara tende a ficar com essa primeira opção, porque tem a possibilidade de fazer o ciclo básico e depois decidir que rumo tomará.

Retrocesso

O diretor adjunto do IMPA, Claudio Landim, não tem dúvidas que o torneio vai estimular muito a participação feminina nas olimpíadas de matemática. Disse que pela primeira vez, o IMPA convidou um grande número de meninas a participar da Semana Olímpica para treinarem e se prepararem, “esperando, com isso, que a gente melhore o desempenho do Brasil nos torneios femininos de matemática. Por outro lado, esperando que isso estimule a participação de outras meninas nas olimpíadas de matemática”.

Segundo Landim, a baixa participação de meninas nas olimpíadas equivale mais a “um retrocesso”. Citou estatísticas que mostram que meninas com bom desempenho na primeira fase da OBM não participam da segunda fase. “É um fenômeno curioso que já foi observado em outros países. É como se elas não quisessem ter sucesso”. Landim afirmou a necessidade de se tentar explicar esse fenômeno para que possam ser encontrados mecanismos que incentivem meninas com talento para a matemática a desenvolverem seus potenciais.

As melhores colocadas na OBM e no TM2 serão convidadas pelo IMPA a participar de treinamento no Rio de Janeiro. As que tiverem melhor desempenho poderão integrar a equipe brasileira que disputará a ‘European Girls Mathematical Olympiad’ (EGMO) 2020, sediada em Egmond, Holanda.

Semana Olímpica

De acordo com informação do IMPA, a programação da Semana Olímpica foi elaborada por 31 professores especialistas em matemática olímpica de todo país e engloba aulas, sessões de estudo, palestras, simulados e provas. Durante a Semana Olímpica são realizados os primeiros testes de seleção para as equipes que vão disputar competições internacionais de matemática, entre as quais a Olimpíada do Cone Sul, no Paraguai; a Olimpíada de Matemática da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (OMCPLP); e a EGMO 2020. A EGMO inspirou a criação pelo IMPA do Torneio Meninas na Matemática (TM2) que teve a primeira edição no ano passado e contou com a participação de 171 estudantes.

Edição: Valéria Aguiar

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Educação

Lista de espera do Sisu será publicada na segunda-feira

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Estudantes que fizeram a inscrição nas listas de espera de instituições de nível superior que usam o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) poderão conferir na próxima segunda-feira (10) a ordem de chamada para matrícula que será publicada pelo Ministério da Educação. 

A lista de espera é um mecanismo para alocar estudantes em vagas que não foram ocupadas durante a primeira chamada. A escolha de duas opções de curso assinaladas durante o Exame Nacional de Ensino Médio (Enem), continua valendo.

Para o primeiro semestre de 2020 valerão as notas do Enem 2019. Os resultados das provas, que foram aplicadas nos dias 3 e 10 de novembro serão divulgados em janeiro na Página do Participante e no aplicativo do Enem. Para acessar, é preciso informar CPF e senha. Ao todo, 3,9 milhões de candidatos participaram de pelo menos um dia de prova do Enem.

O Sisu oferece vagas em instituições públicas de ensino superior. A seleção é feita com base no desempenho no Enem. Para participar é preciso ter obtido nota acima de zero na redação do exame.

Edição: Fábio Massalli

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Educação

Mobilização coletiva de acolhimento de alunos reduz bullying em escola

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Mudanças promovidas na Escola do Ensino Fundamental Bairro Nossa Senhora da Conceição, em Juquitiba, interior de São Paulo, tiveram como resultado uma diminuição dos casos de bullying no estabelecimento de ensino. A experiência vitoriosa foi desenvolvida com base no projeto de pós-doutorado  da enfermeira Pamela Lamarca Pigozi, que o desenvolve no âmbito da Faculdade de Saúde Pública, na Universidade de São Paulo (USP).

O trabalho desenhado pela pesquisadora mobilizou dez professores e 150 alunos. Ela ressalta que a faixa etária em que se nota uma maior incidência do bullying é entre 11 e 14 anos de idade, fato que justificou a escolha de estudantes com esse perfil. Além dos membros da escola, participaram da ação dois enfermeiros e oito agentes de saúde. 

Os resultados quantitativos do estudo ainda não foram fechados, mas os qualitativos indicam que a mobilização na escola teve “muito impacto”, afirma Pamela.

 “Conversei com 20 adolescentes e uma das perguntas muito direta era: qual a sua percepção sobre a existência de bullying, com escala de 0 a 10, e a média foi 7. A maioria colocou [que houve] 8 de diminuição, de melhora. Alguns disseram que não aconteceu mais, que cessou o bullying, porque as vítimas começaram a se posicionar. E se posicionar não é ser reativo e violento, é só pedir: olha, você pode parar, por favor, que eu não estou gostando?”, explica.

A estrutura projetada

Para combater a prática de bullying nas turmas, definiu-se que os alunos teriam à disposição três instrumentos: rodas de conversa, um jornal comunitário e a caixa de diálogo. Todos eles selecionados coletivamente e pertencentes à linha da metodologia participativa. 

Rodas de conversa

A roda de conversa serviu para que os alunos expressassem as próprias emoções e debatessem as formas de identificar casos de bullying e de como lidar caso testemunhassem um colega sofrendo com os atos. Pamela ressalta que buscou proteger os estudantes de julgamentos, não os dividindo em vítimas e agressores. 

“Evitei essa rotulação. Todos devem ser acolhidos”, afirma ela. “Em todas as rodas, vi um ou dois alunos chorar. [A roda] Ativa uma via desse adolescente que é a empatia.”

À medida que as rodas eram realizadas, a pesquisadora e os educadores constataram que vários dos agressores tinham “contextos de saúde e sociais muito importantes, muitas vezes até mais do que as vítimas”. Garantir o direito à fala e à escuta, diz Pamela, equaliza o poder, horizontalizando as relações. “Basicamente, foi isso sobre a roda: dar poder de fala”, sintetiza.

Jornal comunitário

Quanto ao jornal comunitário, os participantes do projeto decidiram que quem produziria o conteúdo seriam estudantes apontados pelos colegas como líderes.

“Escolhemos os líderes de cada sala, que eram alunos que os outros viam como reflexo, como espelho. Não exatamente populares, mas líderes”, diz a enfermeira. No jornal, acrescenta ela, “a gente queria discutir sobre o clima escolar, o que os afetava positiva e negativamente e eles manifestaram. Foi muito curioso. Falaram de questões que influenciavam o clima escolar, desde racismo, LGBTIfobia, questões de gênero e como o respeito dentro da escola e o modo como as relações estavam relacionados a essas questões levantadas por eles”, explica. 

“Foi um dispositivo de comunicação muito potente para falar sobre respeito, diálogo, acolhimento dos colegas, direitos humanos, igualdade de direitos. As questões de classe social surgiram com muita força”, emenda.

Sucesso de leitura, o jornal acabou sendo distribuído com tiragem de 200 exemplares, pelos agentes de saúde. O material pronto recebeu elogios ao ficar exposto em um museu a céu aberto da escola, por dois meses.

Caixa de diálogo

Já a caixa de diálogo foi o modo como Pamela e os professores encontraram de fortalecer o elo entre eles e os alunos. Por meio dela, os estudantes poderiam escrever tanto aquilo que os alegrava como aquilo que os incomodava. Dessa forma, teriam suas demandas, inclusive emocionais, escutadas por um professor de sua confiança.

“O objetivo é ser um canal de comunicação sigiloso, que vai garantir a privacidade e a resposta imediata a esse problema do adolescente”, esclarece a acadêmica. 

“Combinamos que ele escrevia, lacrava a cartinha, colocava o nome dele dentro e por fora era o nome do adulto que ele queria que desse essa resposta pra ele. Pretendíamos responder em dois dias; no máximo, uma semana”, conta.

 “No início, tivemos uma média de cinco cartas por dia. Algumas continham elogios, mas a maioria falava dos sentimentos, de angústia, solidão”, complementa a enfermeira, pontuando que a sua instrução para os professores foi de que não precisavam ser “especialistas” nem profissionais de saúde, mas sim demonstrar que os alunos estavam sendo verdadeiramente amparados por eles.

Bullying

A prática chamada de bullying tem origem na expressão de língua inglesa “bully”, que significa “valentão, brigão e tirano”, como menciona Pamela em um artigo sobre o tema (http://www.scielo.br/pdf/csc/v20n11/1413-8123-csc-20-11-3509.pdf). O conceito serve para caracterizar as situações em que um aluno persegue outro constantemente. Ou seja, há um padrão de atitudes. 

As agressões, como ressalta a pesquisadora, não devem ser naturalizadas. Podem ser de natureza verbal, quando aparece na forma de apelidos, xingamentos ou importunação, ou de cunho sexual. Frequentemente, as vítimas também são violentadas por meio de chutes, empurrões, socos, tapas ou tem seus pertences roubados e intencionalmente estragados.

Muitas vezes, as vítimas também acabam sendo excluídas e isoladas pelos agressores. Outro comportamento que não pode ser visto como normal é quando um aluno espalha rumores com o objetivo de manchar sua reputação e desqualificá-lo.

Edição: Nélio de Andrade

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