Saúde

Rio: carreta leva atendimento gratuito contra doenças de pele

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A Carreta da Saúde inicia nesta segunda-feira (5), em Irajá, zona norte do Rio de Janeiro, atendimento gratuito para combate à hanseníase e outras doenças da pele da atenção básica de saúde, como câncer, por exemplo. Parte do Projeto Roda-Hans, parceria da empresa Novartis com o Ministério da Saúde e com a Associação Alemã de Assistência aos Hansenianos (DAHW), a carreta vai percorrer 20 municípios fluminenses. Entre eles, Nova Iguaçu, Belford Roxo, Magé, Mesquita, São Gonçalo, Rio Bonito, Vassouras, Resende, Volta Redonda, Angra dos Reis.

Maria Kátia Gomes, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenadora do Departamento de Hanseníase da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), disse à Agência Brasil que a Carreta da Saúde faz parte de uma política de apoio aos postos de saúde das cidades por onde passa. A médica destacou que os postos de saúde constituem a atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS). “São dermatologistas que estão escalados pela SBD, especialistas em hanseníase, para capacitar os médicos dos postos de saúde a identificar a hanseníase no contexto das doenças dermatológicas que são comuns na atenção primária”, explicou. 

A professora doutora citou, entre essas doenças, os chamados “panos brancos”, as micoses, furúnculos, as dermatites seborreicas ou caspas, micoses profundas. Caberá ao dermatologista capacitar o médico clínico da atenção básica, ou médico de família, a reconhecer e tratar as doenças de pele que são comuns na atenção básica, entre as quais o câncer de pele. “E reconhecer e tratar o mais precoce possível a hanseníase, que é uma doença que incapacita, causada por uma microbactéria que passa de uma pessoa doente que nunca tratou para uma pessoa sadia”. 

Contaminação 

De acordo com a especialista, não há vetores animais. A doença é passada sempre de um humano doente para outro sadio. A pessoa infectada pode passar milhares de bacilos para o ar por meio da fala e quando outra pessoa que está com ela no ambiente respira, recebe o bacilo. De cada 100 pessoas que respiram esse ar contaminado, cerca de dez adoecem. Maria Kátia destacou que quanto mais precoce for o diagnóstico na primeira fase, em que aparece uma mancha mais clara que a cor da pele, com menos quantidade de pelos, mais fácil é o tratamento, que dura seis meses.

Ao contrário, quanto mais o médico da atenção primária demora em conseguir reconhecer essa doença, mais o paciente tem chance de evoluir a hanseníase e apresentar garras nos dedos das mãos e dos pés, abrir feridas nas plantas dos pés, andar mancando, não conseguir segurar um copo. “Essa é a magnitude da hanseníase. Quando ela não é diagnosticada precocemente, o paciente apresenta incapacidades físicas que podem tornar a mão, o pé ou o olho não funcionais”. 

Maria Kátia observou que a hanseníase depende muito da forma de moradia. Quanto mais aglomerada a população mora, quanto mais as pessoas ficam juntas em ambientes fechados, maior a chance de se contaminarem. “Cada ser humano nasce geneticamente definido se vai ser suscetível a adoecer ou não. A população mais suscetível é a que mora na casa de alguém que está doente”, reiterou. 

Esquemas terapêuticos 

Essa população deve ser examinada. Se não apresentar nenhuma lesão de pele pode tomar a vacina BCG, utilizada primariamente contra a tuberculose, que vai fazer com que, se a pessoa adoecer, que seja de uma forma branda. Nesse caso, toma um esquema terapêutico chamado paucibacilar, que dura seis meses. Se adoece de um jeito mais forte, com maior número de lesões, vai ter que tomar o remédio por 12 meses. Maria Kátia salientou que todas as formas clínicas de hanseníase têm cura, “desde que os profissionais da saúde sejam capazes de reconhecer (a doença) e diagnosticar”. 

Os dermatologistas que darão as aulas aos médicos de família, residentes e enfermeiros estarão dentro da Carreta da Saúde, que é um caminhão itinerante com seis consultórios e um laboratório. Segundo Maria Kátia, a capacitação dos profissionais da saúde básica passa por duas etapas. As aulas teóricas são dadas antes da carreta chegar ao município. A segunda etapa ocorre durante o atendimento na carreta, quando o professor dermatologista, que é hansenólogo, vai explicar que caso é aquele, como se trata, seja hanseníase ou não. “Se for hanseníase, a gente vai começar a tratar dentro da carreta”. 

A principal política, de acordo com Maria Kátia, é colocar o profissional treinado em fazer o diagnóstico mais perto da casa do paciente. “Portanto, todos os postos de saúde devem ter profissionais capazes a reconhecer e tratar a doença. É nisso que a gente aposta”. A Carreta da Saúde permanecerá em Irajá até a terça-feira (6), com atendimento aberto ao público na esquina da rua do Encantamento com a rua Monsenhor Felix, das 8h às 17h. Depois de Irajá, o caminhão seguirá percorrendo o estado do Rio de Janeiro até o próximo mês de setembro. A Carreta da Saúde registra nos dez anos de atuação pelo país um total de 70 mil atendimentos à população. 

Compromisso 

O projeto tem o compromisso de que os dermatologistas da SBD continuarão dando suporte aos profissionais que foram treinados após a carreta sair daqueles municípios. “Não é uma ação que começa e acaba com a carreta. A carreta é um equipamento para chamar a atenção, para colocar a hanseníase na ordem do dia, para mobilizar os prefeitos e secretários de saúde. É uma política de treinamento da atenção primária para que os programas de hanseníase dos municípios sejam descentralizados. Porque quanto maior o número de serviços em cada município, reconhecendo e tratando, maior a chance de não ficar ninguém doente sem tratamento”, frisou a médica. 

Os municípios fluminenses selecionados são aqueles com maior número de casos. Outros dois municípios da região serrana e do noroeste do estado têm silêncio da doença, isto é, não tiveram casos diagnosticados nos últimos anos. “A gente acha que devem ter a doença mas não está sendo identificada”. Como essas cidades estão próximas de outras endêmicas, a coordenadora de Hanseníase da SBD acredita que possivelmente os diagnósticos estão passando despercebidos. A ideia é estimular que os casos apareçam para que os especialistas possam identificá-los junto com a equipe de atenção primária. 

O tratamento poliquimioterapia (PQT), que está disponível gratuitamente em toda a rede pública do Brasil, cura a hanseníase, interrompe sua transmissão e previne as deformidades. O tratamento é doado pela Novartis por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS). 

O projeto, que completa dez anos, tem apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS), que buscam a erradicação da doença no país até 2020.

 

Edição: Aline Leal

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Saúde

Desinformação é maior entrave para controle do câncer do colo do útero

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A desinformação, envolvendo muitos mitos e fake news (notícias falsas), é a principal barreira para o controle do câncer do colo do útero no Brasil segundo estudo divulgado hoje pela Fundação do Câncer, dentro da campanha da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) alusiva ao Dia Mundial do Câncer, que se comemorou na sexta-feira (4). A pesquisa inédita Conhecimento e Práticas da População sobre Prevenção do Câncer do Colo do Útero tomou por base estudos publicados entre 2003 e 2020 na literatura científica nacional e internacional.

O objetivo foi identificar as barreiras e as lacunas existentes sobre a vacinação contra o vírus HPV (sigla em inglês para Papilomavírus humano) e o rastreamento para o câncer do colo do útero, responsável pela morte de mais de 6 mil mulheres por ano no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) quer atingir, até 2030, metas que visem erradicar o câncer de colo do útero, causa de morte de mais de 331 mil mulheres por ano, em todo o mundo.

O médico epidemiologista Alfredo Scaff, consultor da Fundação do Câncer, disse que o câncer do colo do útero é evitável porque as pessoas já dispõem de uma vacina contra o vírus HPV, que causa a doença. O levantamento vem contribuir, segundo ele, para diminuir os buracos existentes entre os cuidados disponíveis para o controle desse câncer no mundo e no Brasil, devido à constatação de um distanciamento muito grande entre o acesso e a oportunidade do tratamento da doença entre pessoas, dependendo da região onde moram, se têm ou não plano de saúde ou acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“Esse câncer é uma das maiores iniquidades que nós temos na oncologia hoje. É no mundo inteiro mas, no Brasil, isso é muito evidente. O câncer do colo do útero é o primeiro câncer que tem uma vacina”, disse Scaff, que acrescentou que 99% dos cânceres do colo do útero são causados pelo vírus chamado HPV, que tem uma vacina. “Tem que vacinar”.

Scaff estima que, em uma geração, pode-se controlar esse tipo de câncer. Ele reconheceu, entretanto, que existem problemas para se alcançar uma imunização completa da população-alvo, que são meninas entre 9 e 14 anos de idade e meninos de 11 a 14 anos.

Conhecimento

A médica Flávia Miranda Corrêa, doutora em saúde coletiva, pesquisadora da Fundação do Câncer e responsável pela pesquisa, esclareceu que a primeira parte do levantamento, divulgado hoje, se refere ao conhecimento e práticas da população sobre a prevenção do câncer do colo do útero, tendo como público-alvo 7.712 crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos; 3.335 pais e responsáveis entre 18 e 82 anos; e 54.617 mulheres na faixa etária de 14 a 83 anos.

A segunda parte, envolvendo o conhecimento e práticas dos profissionais de saúde sobre prevenção e rastreamento, deverá ser liberada no final do próximo mês. Serviram de base à pesquisa 68 estudos, sendo 16 sobre vacinação e 52 sobre rastreamento da doença.

Resultados

Os primeiros resultados em relação às barreiras sobre a vacinação contra o HPV entre crianças e adolescentes mostram que entre 26% e 37% dos consultados não sabiam que a vacina previne contra o câncer do colo do útero; entre 53% e 76% ignoravam que a vacina diminui a incidência de verrugas nos órgãos genitais. Flavia afirmou que isso demonstra que a maioria das crianças e dos jovens ignora para que serve a vacina.

Entre os entrevistados, 82% acharam que a vacina protege contra infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). “Esse é um problema muito importante, porque a gente sabe que não é verdade. A vacina é específica para o HPV e pode dar uma sensação de falsa proteção. Esse desconhecimento tem que ser desconstruído”, apontou a médica.

Além disso, entre 36% e 57% das crianças e adolescentes ouvidos acham que a vacina pode ser prejudicial à saúde. Flávia contra-argumentou que a vacina é segura, está no mercado desde 2006 e há um monitoramento constante. A médica considerou que essa ideia apurada é errônea e pode ser um impeditivo muito grande para a vacinação.

Entre 35% e 47% acreditam que a vacina pode incentivar a iniciação sexual precoce. “Não é verdade. Inclusive no contexto do Brasil, nós sabemos que não induz a uma atividade sexual mais precoce”. Entre 32% e 50% não sabiam o número correto de doses. A vacina contra HPV é tomada em duas doses, no intervalo de seis meses, informou a pesquisadora da Fundação do Câncer.

Pais e responsáveis

O desconhecimento continua entre os pais e responsáveis: 17% não sabiam que a vacina previne câncer do colo do útero; 33% não tinham ideia sobre a prevenção de verrugas anais e genitais; 74% imaginavam que a vacinação previne outras doenças sexualmente transmissíveis (DSTs); 20% achavam que o imunizante pode ser prejudicial à saúde; entre 34% e 61% não conheciam a população-alvo que deve ser imunizada contra o HPV; e 22% acreditavam que a vacina pode incentivar a iniciação sexual precoce dos filhos.

Flávia Corrêa disse que a vacina é cada vez mais eficaz quando usada em quem não tem atividade sexual ainda. Ela esclareceu que a vacina tem a função específica de evitar os danos do HPV, como verrugas, lesões precursoras e o próprio câncer de colo do útero. Advertiu que doenças como sífilis, contágio por HIV (Aids) e demais DSTs não são contempladas nessa imunização.

Rastreamento

Os estudos para identificar se as mulheres conheciam os exames preventivos de rastreamento do câncer do colo do útero (Papanicolau) constataram conhecimentos e práticas inadequadas entre 40% e 71% do público consultado, respectivamente. Os motivos apontados pelas mulheres que nunca realizaram o exame preventivo foram: “não achavam necessário” (45%), “não foram orientadas” (15%), “tinham vergonha” (13%) e “nunca tiveram atividade sexual” (8,8%).

A conclusão da pesquisa da Fundação do Câncer é que o conhecimento deficiente e práticas equivocadas sobre a vacinação contra HPV e o rastreamento do câncer do colo do útero estão associados à baixa renda, menor escolaridade, cor da pele parda ou negra, residência em áreas urbanas pobres e rurais, o que reforça a importância da luta contra a iniquidade.

É preciso ainda esclarecer a população quanto a problemas relacionados a falsas informações e fake news divulgadas pela internet sobretudo, que facilitam práticas equivocadas. A Fundação do Câncer pretende atuar para passar informações corretas e de qualidade para toda a população.

Vacinação gratuita

Alfredo Scaff destacou que o Brasil é um dos poucos países do mundo em que a vacinação contra o HPV é universal, pública e gratuita pelo SUS, integrando o Programa Nacional de Imunização (PNI). O problema, reiterou, é a falta de informação para a vacinação. A imunização contra o HPV é menor entre meninos do que entre as meninas. Em 2020, 55% das meninas brasileiras de 9 a 14 anos tomaram as duas doses da vacina. Entre os meninos de 11 a 14 anos, a taxa dos que completaram o ciclo vacinal foi 36,4%.

Além de a vacina para meninos ter sido iniciada dois anos depois que a das meninas, a médica Flávia Corrêa explicou que há desconhecimento de que a vacina é importante para os garotos não só para que eles não transmitam o HPV para as meninas mas, também, para protegê-los de doenças relacionadas ao vírus HPV, como câncer de pênis, câncer anal e de orofaringe (parte da garganta localizada atrás da boca).

No dia 4 de março, no Dia Internacional de Conscientização sobre o HPV, a Fundação do Câncer mobilizará a população sobre o tema, com postagens em suas redes sociais. Em 26 de março, Dia Mundial da Prevenção do Câncer de Colo do Útero, a entidade abrirá inscrições para um curso voltado aos profissionais de saúde, com foco na atenção primária, cujo início está previsto para abril.

 

 

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Saúde

Secretaria de Estado diz que devido à suspensão de licitação, UTI´S do Hospital Regional de Alta Floresta ainda não foram entregues

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Em agosto deste ano, o secretário de Saúde do estado de Mato Grosso, Gilberto Figueiredo afirmou que os 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva do hospital regional Albert Sabin deveriam ser entregues na primeira quinzena de novembro.

Mas, passado o prazo estipulado, os leitos ainda não entraram em funcionamento e o paciente que precisa de atendimento intensivo continua a depender de regulação para outras unidades.

Na época, o secretário frisou que praticamente todos os equipamentos já haviam sido adquiridos e 95% da obra estava finalizada, faltando alguns ajustes e correções do projeto.

O hospital tem 77 leitos, incluídos os de Pronto-Atendimento e salas cirúrgicas e atende mais de 100 mil pacientes de Alta Floresta, Apiacás, Carlinda, Nova Bandeirantes, Nova Monte Verde, Paranaíta, Peixoto de Azevedo e sul do Pará.

Diante da situação, a redação do site Notícia Exata entrou em contato com a Secretaria de Estado de Saúde para saber o porquê do atraso no funcionamento dos leitos.

Em nota encaminhada a SES informou que devido à suspensão do procedimento licitatório referente ao Pregão Eletrônico nº 1/2019 para contratação de empresas que prestariam serviços médicos às Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em Mato Grosso, a SES-MT ficou impossibilitada de implementar, ainda em novembro, os leitos de UTI na unidade de saúde.

A Secretaria ainda informou que em breve deve ser publicado um novo edital para a reabertura do processo de licitação de serviços médicos.

Confira nota na integra

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informa que, devido à suspensão do procedimento licitatório referente ao Pregão Eletrônico nº 1/2019 para contratação de empresas que prestariam serviços médicos às Unidades de Terapia Intensiva (UTI) em Mato Grosso, a SES-MT ficou impossibilitada de implementar, ainda em novembro, os leitos de UTI na unidade de saúde.

A SES-MT esclarece que em breve deve ser publicado um novo edital para a reabertura do processo de licitação de serviços médicos.

Enquanto isso, as obras do Hospital seguem em ritmo acelerado para conclusão.

O órgão estadual já realizou o processo seletivo para contratação de equipes multidisciplinares que irão atuar na unidade de saúde e também fará a aquisição de equipamentos médicos para a UTI por meio de uma adesão à ata (forma de aquisição em um registro de preços) do Hospital Metropolitano de Várzea Grande.

Fonte: Redação Notícia Exata

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