O desempenho das exportações brasileiras de soja no primeiro trimestre de 2026 confirma a força do país no mercado global da oleaginosa, mesmo diante de um cenário marcado por volatilidade cambial e pressão nos preços internos. Dados consolidados apontam que o Brasil embarcou 23,46 milhões de toneladas no período, um crescimento de 5,93% em relação ao mesmo intervalo do ano passado.

O destaque ficou para o mês de março, quando os embarques atingiram 14,52 milhões de toneladas — um salto expressivo de 105,29% frente ao mês anterior. O movimento, no entanto, segue o padrão sazonal do setor, já que o período coincide com o avanço da colheita e maior disponibilidade do grão para exportação.
A China, principal compradora da soja brasileira, manteve a liderança nas aquisições, com 9,97 milhões de toneladas importadas em março. Apesar disso, o volume representa uma queda de 10,39% em comparação com o mesmo mês de 2025, reflexo, em parte, da suspensão temporária de embarques por algumas tradings, o que impactou o fluxo comercial no curto prazo.
Em Mato Grosso, maior produtor e exportador do país, o desempenho também foi positivo. O estado embarcou 4,84 milhões de toneladas no primeiro trimestre, alta de 4,39% na comparação anual. O resultado é sustentado por uma safra recorde, que ampliou a oferta e impulsionou o escoamento da produção. A China segue como principal destino da soja mato-grossense, com 2,99 milhões de toneladas, seguida por Espanha e Turquia.
A expectativa do setor é de manutenção de volumes elevados de exportação nos próximos meses, ancorada na ampla oferta disponível no mercado interno e na demanda internacional ainda consistente.
Mercado internacional e câmbio influenciam preços
No cenário externo, os preços da soja apresentaram leve valorização. O contrato para março de 2027 na Bolsa de Chicago registrou alta semanal de 0,26%, encerrando cotado, em média, a US$ 11,60 por bushel.
Já no mercado cambial, o dólar recuou 1,79% na última semana, pressionado por expectativas frustradas em torno de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã. A queda da moeda norte-americana tende a reduzir a competitividade das exportações brasileiras, impactando diretamente a formação de preços no mercado interno.
Esse movimento, somado ao aumento da oferta nacional, contribuiu para a desvalorização da soja no Brasil. O indicador Cepea registrou queda de 0,42% na semana, com a saca sendo negociada, em média, a R$ 127,93.
Comercialização avança, mas produtores mantêm cautela
Em Mato Grosso, a comercialização da safra 2025/2026 já ultrapassa metade da produção estimada. Até março, 63,31% da safra havia sido negociada, avanço de 6,73 pontos percentuais em relação ao relatório anterior e de 8,34 pontos na comparação anual.
Apesar do progresso, o ritmo de vendas segue moderado. Produtores têm adotado postura cautelosa diante da instabilidade dos preços e das incertezas no cenário internacional. Segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), grande parte do volume comercializado foi negociada antecipadamente, por meio de contratos firmados em momentos mais favoráveis.
O preço médio da saca no estado encerrou março em R$ 105,54, queda de 1,53% em relação a fevereiro, influenciado por fatores geopolíticos e pela pressão da oferta elevada.
Para a safra 2026/2027, a comercialização ainda é incipiente, alcançando 7,31% da produção prevista. Ainda assim, o percentual representa avanço mensal de 3,35 pontos percentuais, com negócios sendo fechados a uma média de R$ 108,36 por saca.
Perspectivas
O cenário para os próximos meses indica continuidade no forte ritmo de exportações, sustentado pela safra robusta e pela demanda internacional. No entanto, a dinâmica de preços deve seguir sensível às oscilações do câmbio, aos desdobramentos geopolíticos e ao comportamento dos grandes compradores globais, especialmente a China.
Para os produtores, o desafio será equilibrar o avanço nas vendas com a busca por melhores oportunidades de preço, em um ambiente de mercado cada vez mais volátil e competitivo.

























